Radiografia abscesso periapical: veja para que serve e conheça um caso clínico 

Radiografia abscesso periapical: veja para que serve e conheça um caso clínico 

24/10/2022 - Por: Ademar Junior

A radiografia abscesso periapical é muito importante para a identificação e tratamento de enfermidades orais. Afinal de contas, muitos pacientes que realizam exames de rotina apenas percebem determinadas alterações quando o dentista solicita radiografias.

Neste artigo, você entende a importância da radiografia abscesso periapical e conhece um caso clínico real, retirado de um artigo científico desenvolvido por pesquisadores da faculdade UNILAVRAS.

Para que serve a radiografia de abscesso periapical?

A radiografia de abscesso periapical auxilia o especialista na avaliação da anatomia da arcada dentária do paciente. Nesse sentido, evidencia as partes comprometidas e sinaliza o grau inflamatório da região.

Em suma, a radiografia de abscesso periapical é utilizada em várias etapas do tratamento, da realização do diagnóstico ao decorrer do tratamento. Assim, o cirurgião-dentista poderá acompanhar a evolução do procedimento e entender quais áreas estão ou não afetadas pelo abscesso.

Outro fator interessante a respeito da radiografia, é que o exame costuma identificar enfermidades em pacientes que estão assintomáticos. Assim, antes que o quadro evolua para um abscesso doloroso e grave, o dentista irá realizar o tratamento adequado.

Por isso, é importante a realização de exames de rotina e o paciente deve procurar uma clínica assim que identificar dor ou outro sintoma em relação a sua saúde bucal de forma geral.

Caso clínico de abscesso

Um paciente do sexo masculino, até então com 55 anos de idade, descobriu um sisto periapical de grande estensão, através de um exame de Raio-x para a exodontia de raízes individuais.

Registrado como feoderma, pedreiro e fumante de cigarros de palha a 40 anos, o homem relatou que fumava cerca de 6 cigarros por dia e que era hipertenso, tendo que tomar Hidroclorotiazida.

O caso clínico, descoberto pela radiografia de abscesso periapical, foi encaminhado pelo cirurgião-dentista do posto de saúde para o Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS), para que o paciente pudesse passar por avaliação da lesão na mandíbula.

Ao realizar um exame físico intrabucal, os dentistas da UNILAVRAS observaram que o paciente não possuía dentes na arcada superior e que apresentava raízes residuais pré-molares e de molar direito na mandíbula.

O exame físico revelou ainda uma discreta tumefação, localizada na região posterior direita da mandíbula.

Passo a passo do diagnóstico e tratamento

1. Exame físico e observação da radiografia panorâmica

Ao chegar a UNILAVRAS o paciente estava em posse de uma radiografia panorâmica. Nela, os dentistas puderam observar lesão com imagem radiolúcida de aproximadamente 4×2 cm. A mesma estava delimitada por um halo radiopaco e associada a raiz residual.

Ao verificar o lado esquerdo, os pesquisadores encontraram a presença de lesão com imagem radiolúcida de 1,7 x 1,3 cm, que estava delimitada por halo radiopaco e associada à raiz residual em região de pré-molar inferior esquerdo, que não havia sido observado no exame físico.

2. Exame radiológico, diagnóstico e tratamento

Os dentistas da faculdade solicitaram a realização de uma radiografia oclusal da mandíbula. Assim, puderam constatar que as lesões não apresentaram expansão cortical vestibular e lingual.

Então, realizaram o diagnóstico de ambas as lesões classificando-as como cista radicular. Em seguida, o paciente foi encaminhado para hemograma completo, coagulograma e glicemia. A leitura desses exames mostrou padrões dentro da normalidade.

Assim, os pesquisadores conseguiram realizar a exodontia das raízes residuais do lado direito, e também a inoculação do cisto.

Do lado esquerdo, foi realizada a exodontia da raiz residual seguida de curetagem da lesão.

3. Exame histopatológico e proservação

O exame histopatológico analisou um fragmento de tecido bucal do paciente, em que se constatou a presença de epitélio estratificado pavimentoso paraqueratinizado, que revestia a cavidade cística.

Logo abaixo do epitélio, os pesquisadores identificaram a presença de tecido conjuntivo fibroso, com moderada infiltração inflamatória mononuclear. Por fim, os vasos sanguíneos estavam hiperemiados e cheios de hemácias, o que confirmou o diagnóstico clínico.

O paciente passou por proservação (estado de observação periódica) por 15 meses. A radiografia de abscesso periapical foi realizada e demonstrou o reparo ósseo.

Esse caso mostra como a radiografia de abscesso periapical pode auxiliar no tratamento e que os exames de rotina são responsáveis por revelar muitas enfermidades assintomáticas para o paciente.

Caso retirado da Revista de Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-facial.

Justificativa para o tratamento

No caso apresentado acima, a realização do procedimento de enucleação foi realizado do lado direito, devido ao fato do paciente não ter dentes adjacentes. Assim, a cápsula espessa facilitou o procedimento.

Já no caso da lesão, que estava presente no lado esquerdo do paciente, o procedimento escolhido foi a curetagem, devido a observação dos dentistas que não havia uma cápsula na íntegra.

Ainda segundo a equipe odontológica que acompanhou o caso clínico, o fator que consideraram mais importante não foi o tamanho da lesão, mas a característica que permeia a cápsula.

Dessa forma, observaram que lesões com cápsulas espessas poderiam ser tratadas mais facilmente.

Contudo, no caso das lesões com cápsulas delgadas ou fragmentadas, observaram maior grau de dificuldade no tratamento e durante o procedimento cirúrgico. Por isso, consideraram seu prognóstico menos eficiente.

F.A.Q

Como diagnosticar um abscesso periapical?

O diagnóstico de abscesso periapical deve ser realizado através de anamnese, exames clínicos e radiografia.

Quais são as características radiográficas do abscesso periapical aguda?

As principais características radiográficas do abscesso periapical agudo, são formação de pus, dor intensa, inchaço e inflamação.

Qual a possível característica Radiográfica de um cisto periapical?

Um cisto periapical é radiograficamente representado por uma lesão radiolúcida unilocular e circunscrita, com formato oval ou esférico. Seu diâmetro usualmente não ultrapassa 10mm e sempre está relacionado ao ápice do dente desvitalizado.

Como diagnosticar um abscesso periodontal?

O diagnóstico deve ser realizado através de exames físicos e laboratoriais. Nesse sentido, até mesmo exames de sangue e radiografias podem ser solicitados para auxiliar o especialista no tratamento.

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O Autor

Ademar Junior

Administrador. Mestrando em administração. MBA em gestão empresarial. Especialista de Produtos da área de Imagem na Alliage.

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